Prosa Sonora 2

3ª Edição do Prosa Sonora. Dia 23/9, 12 e 23/10 e 17/11 no Teatro SESI

No clima dos tradicionais bailes de forró, a Prosa Sonora 2017 começa no próximo sábado (23), às 20h, no Teatro Sesi com entrada gratuita. Na abertura, a série musical apresenta o coletivo de violeiros goianos do Encontro Violado; o pernambucano Maciel Salú com seu último disco “Baile de Rabeca” e o DJ e pesquisador da música regional brasileira Cacai Nunes, com o projeto Forró de Vitrola. Não é necessário retirar os ingressos antecipadamente e, além dos shows dentro do teatro, haverá uma estrutura externa com bar, food trucks, telão e uma lona de circo que vai abrigar o DJ da noite.

Neste ano a Prosa Sonora chega à 3ª edição se consolidando no circuito goiano de festivais com programação gratuita focada na diversidade e riqueza da música popular brasileira. A proposta é abrir espaço na agenda de Goiânia para bandas que figuram fora do circuito comercial Brasil afora. Esse ano, a Prosa volta a surpreender na programação com atrações inéditas e gratuitas, além de promover encontros encantadoramente improváveis, como é o caso de um dos shows mais esperados que colocará lado a lado nada menos do que Bongar (PE) e Liniker (SP).

Serão 14 atrações que se dividirão em quatro apresentações no Teatro Sesi entre os dias 23 de setembro e 17 de novembro. Além do dueto entre o grupo pernambucano e o cantor paulista, a série musical vai contar com uma boa mistura de ritmos periféricos com a Bahia Bass do Àttøøxxá (BA); o resgate da sonoridade afro-brasileira do Terra Cabula (GO); o coco das meninas da Cocada Coral (GO); outro encontro promissor entre Berra Boi (PB), Alessandra Leão e Caçapa (PE), e ainda discotecagem com os DJs Gerson Deveras (DF) e Furmiga Dub (PB).

O DJ Cacai Nunes explica a importância de um projeto como a Prosa Sonora para o incentivo e cultivo da música popular. “Eu acho que cada vez mais temos oportunidades de ter estes encontros de tradições. Por exemplo, virá se apresentar o Marcelo Salú, que é um tocador de rabeca, e o Encontro Violado, então percebemos que são pessoas que têm identificação com o que o povo canta, escuta, a memória e saberes tradicionais”. E acrescenta ainda que “é uma oportunidade única de poder se reunir, se encontrar, trocar, dividir espaço para esse nicho de música tradicional, regional, popular, como preferir chamar. Então é mais um canal de divulgação dessa música que tanto nos identificamos”.

Apresentações de Estreia

Encontro Violado, que fará a abertura oficial às 20h, foi a atração mais votada pelo público entre quatro finalistas de um processo seletivo inédito feito este ano pela Prosa. Trata-se de um coletivo de violeiros vindos de outros grupos musicais como Cega Machado (Diego Lobo e Pedro Vaz), Sertão e Umbando (Olavo Telles), Chapéu di Paia (Billy), Erotori (Paula de Paula), Duo Goiás (Alexandre Nonato) e Cia Bambulengo (Rodrigo Gorgumã). A apresentação ocorre em formato de roda de viola, onde cada violeiro compartilha suas músicas, ora solo, ora em duplas, trios e com o grupo todo. Olavo, um dos integrantes, explica que este ‘encontro’ já existe há cinco anos, e o que o torna especial, é que cada um tem seu estilo e influência individual. Todos são compositores, uns gostam mais da viola contemporânea, outros mais da tradicional. E juntos, apresentam um repertório rico e autoral, como define o violeiro.

Com três álbuns lançados, o violeiro pernambucano Cacai Nunes percorre um trajeto em que procura explorar a viola brasileira com pluralidade, mostrando-a como um instrumento versátil e com grande potencial harmônico e melódico. Macumbeiro, chorão e forrozeiro, como bem se define, ele já visitou países da Europa, África, América do Norte e do Sul mostrando a diversidade da sua música e de sua viola. Cacai se entende como um violeiro contemporâneo, e mesmo buscando suas influências na viola de raiz, gosta de transitar entre estilos, a versatilidade do instrumento. Recentemente lançou um álbum com músicas de Choro na viola.

Mestre do Maracatu Piaba de Ouro, de Olinda (PE), Maciel Salú é herdeiro de uma das famílias mais expressivas da cultura popular pernambucana e traz a Goiânia, pela primeira vez, seu projeto solo, iniciado em 2003. O último disco, ‘Baile de Rabeca’, foi lançado em 2016 e celebra ritmos como forró, samba, marchinha, coco e cúmbia, mas também dá espaço para celebração e devoção. O álbum foi produzido de forma independente, com a parceria dos fãs por meio de uma campanha de financiamento coletivo. Maciel Salú e sua companheira de vida e carreira, a Rabeca, prometem sacudir a poeira do Teatro Sesi no show marcado para as 21h.

História do projeto

A série musical tem como pilar a ampliação do acesso às manifestações regionais da música brasileira. Seu principal objetivo é aproximar o público da essência da cultura popular tão diversa em um país com dimensões continentais como o Brasil. Na Prosa, tradicional e contemporâneo se unem em uma atmosfera única que apresenta a riqueza da tão conhecida, porém nem tão a fundo, música popular brasileira.

Realizada com o apoio institucional do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, a Prosa Sonora é produzida pela Pandarus Música Brasileira. À frente da produtora estão Fernando Santos e Juliana Alves, com décadas de trabalho dedicado à construção e ao fortalecimento da cena musical goiana. Pela primeira vez, a Prosa abriu um processo seletivo para artistas goianos interessados em integrar a programação. Quatro atrações finalistas foram escolhidas pela produção e o público escolheu a vencedora por meio de uma votação na página da Prosa Sonora no facebook. A atração, o ‘Encontro Violado’, que foi mais votada fará, portanto, o show de abertura da série neste sábado, dia 23 de setembro.

Kombi forrozeira

Depois dos dois shows dentro do teatro, o DJ, músico e pesquisador brasiliense Cacai Nunes fecha a noite com chave de ouro com seu projeto Forró de Vitrola, iniciado há quase 18 anos, e recém-chegado de turnê na Europa. Conhecido como ‘garimpeiro de sons’, Cacai apresenta seu set de dentro de uma Kombi 1973 devidamente customizada e equipada com toca-discos de mesma época, sonorização e iluminação. No repertório, o forró pé de serra que começa nos anos 40 com Luiz Gonzaga e vai até os dias de hoje. Cacai se apresenta às 22h30 na estrutura externa montada no estacionamento do teatro com lona de circo, bar e food trucks.

O pernambucano conta que, mesmo morando em Brasília desde 1984, suas influências nordestinas exalam dentro do seu trabalho de pesquisa regado a regionalidade e tradição, dando frutos em sua viola de som mais contemporâneo e no seu baile. “Eu sou acima de tudo um violeiro. E tenho esta atividade como DJ em função de uma pesquisa que faço chamada Acervo Origens, difundido um programa rádio, aos sábados, na Rádio Nacional em Brasília, no ar desde 2010. Eu toco músicas que tenham vínculos com a identidade brasileira, do povo brasileiro. Ai entra música do povo do norte, do sul, sudeste, centro oeste e do nordeste claro, pois sou nordestino e eu puxo muito minha história, apesar de morar em Brasília há tanto tempo”.

Cacai explica que o Acervo Origens também faz pesquisas de campo de músicas tradicionais brasileiras, e recentemente ele terminou um disco de uma folia do divino no Tocantins, lançado a pouco mais de um mês. No site do projeto, acervoorigens.com, Cacai disponibiliza um repertório de músicas brasileiras vindo de discos de vinil digitalizados. Envolto de uma pesquisa muito rica da música regional, o violeiro consegue dialogar suas várias habilidades e profissões dentro destes projetos. “E é desta forma que eu consigo me comunicar nas atividades de pesquisador, musico e de DJ nos bailes de forró”.

E enquanto DJ, o violeiro aproveita sua relação afetiva com o forró pé de serra e os vinis para montar um set cheio de embalo e memória, já que suas referências são parte da história do povo brasileiro. “Então o projeto Forró de Vitrola é um baile, uma festa para dançar e o repertório é extraído totalmente destes discos de vinil que nós temos aqui em nossa coleção, toda catalogada e digitalizada, na medida do possível, em que vou disponibilizando na internet e difundindo na rádio, então é um acervo que está sempre em movimento, ele não fica guardado e inacessível, ele está sempre em trânsito, seja na rádio, na internet ou no baile de forró”.

Cacai Nunes já se apresentou em outra edição passada da Prosa Sonora, em 2015, como violeiro, e desta vez, vem com a proposta da Kombi Forrozeira, que tem sua função simbólica e afetiva do projeto Forró de Vitrola. “Eu já em apresentei como violeiro no Prosa Sonora há dois anos, e agora vou como DJ. “E vou dentro de uma Kombi 1973, destas que o pessoal chama de modelo ‘corujinha’, que já é mais um elemento que agrega valor ao conteúdo, por que eu uso um automóvel da mesma época dos discos que eu uso. Estou agregando valor de memória mesmo, pois a Kombi é um veículo que tem muita história dentro do povo brasileiro”.

Programação infantil

Uma das novidades de 2017 é uma sessão voltada exclusivamente para o público infantil, a Prosinha, no dia 12 de outubro, Dia das Crianças. Serão duas atrações que misturam circo, teatro e música. A comédia musical Circo sem Teto da Lona Furada dos Bufões da banda cearense Dona Zefinha retrata a luta pela sobrevivência de um circo mambembe nordestino e o grupo goiano Circo Bambulengo faz um espetáculo interativo em um cenário feito com elementos de bambu.

SERVIÇO

3ª edição da Prosa Sonora

Quando: 23 de setembro, 12 de outubro, 23 de outubro e 17 de novembro

Onde: Teatro Sesi – Av. João Leite, 1013, Santa Genoveva

Entrada: gratuita

Mais informações: http://prosasonora.com.br/

BOX – PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

23 de setembro

20h Encontro Violado (GO)

21h Maciel Salu (PE)

22h30 Forró de Vitrola com Cacai Nunes (DF)

12 de outubro

16h Circo Bambulengo (GO)

17h Circo sem Teto da Lona Furada dos Bufões – Dona Zefinha (CE)

23 de outubro

20h Cocada Coral (GO)

21h Bongar (PE) convida Liniker (SP)

22h30 Àttøøxxá (BA)

17 de novembro

20h Terra Cabula (GO)

21h Berra Boi (PB) convida Alessandra Leão e Caçapa (PE)

22h30 DJ Gerson Deveras (DF) convida Furmiga Dub (PB)

**Bruna Policena é integrante do programa de estágio do jornal O Hoje, sob a supervisão de Flávia Popov (Foto: Divulgação)

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