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Grupo alvo de operação fraudou o Enem 2016 e planejava burlar a prova deste ano, diz delegado

Segundo a polícia, concurso para delegado também foi alvo do esquema. Ação visa cumprir 33 mandados em Goiás e no Distrito Federal.

Polícia Civil de Goiás informou que o grupo alvo de uma operação nesta segunda-feira (30) suspeito de burlar concursos em todo o país fraudou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016 e planejava fazer o mesmo neste ano. A prova será aplicada no próximo domingo (5) e em 12 de novembro.

“Comprovamos que o Enem 2016 foi fraudado. Em todos os concursos eles tentam atuar de uma forma ou de outra. Em alguns casos tem êxito, em outros não. Antecipamos a operação para esta semana visto que estavam planejando, via ponto eletrônico, fraudar o Enem 2017”, afirmou o delegado Rômulo Figueiredo à TV Anhanguera.

G1 entrou em contato, por e-mail e telefone, com a assessoria de imprensa do Ministério da Educação e Cultura (MEC), responsável pelo Enem, às 8h15, e aguarda retorno.

Batizada de “Panoptes”, a operação é realizada pelas polícias civis do Distrito Federal e de Goiás. A ação cumpre 15 mandados em Brasília e 18 em Goiânia contra suspeitos de liderar a chamada “Máfia dos Concursos”.

Entre os editais fraudados está, segundo o delegado, o concurso para delegado substituto da Polícia Civil de Goiás. Por isso, em maio deste ano, a Justiça suspendeu, liminarmente, o certame.

Ex- funcionário do Cespe

Entre os alvos está um ex-funcionário do então Centro de Promoção e Seleção de Eventos (Cespe) – atual Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe). Ele é apontado como um dos lideres do grupo especializado em fraudar provas.

Conforme a polícia, ele foi demitido em março deste ano assim que foi intimado a depor em Goiânia, e o esquema começou a ser desvendado. O ex-funcionário era quem cuidava da digitalização das provas e das folhas de respostas e, por esse motivo, conseguia preencher tudo antes e aprovar quem tivesse pago a propina.

“Este servidor subtraía o cartão resposta dos candidatos, que entregavam os mesmos em branco e, após a subtração, os preenchia indevidamente e os devolvia para a correção. Assim, os candidatos eram aprovados sem fazer qualquer prova”, disse o delegado.

G1 entrou em contato, por e-mail e telefone, com a assessoria de imprensa do Cebraspe, às 8h10, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Valor da vaga

Depois de aprovado, o candidato chegava a pagar mais de R$ 100 mil ao grupo, dependendo da remuneração prevista no edital. O delegado afirma que há beneficiários do esquema em todo o país.

“A média cobrada era em torno de 20 vezes o salário para o cargo. Temos registro que em 2016 remeteram 35 milhões de euros para a Europa [o que corresponde a cerca de R$ 130 milhões] “, detalhou Figueiredo.

Segundo a polícia, o grupo contava com aliciadores. Em alguns casos, eles ficavam na porta de cursinhos fazendo amizade com concurseiros e os encaminhava para os principais articuladores da fraude.

Os envolvidos vão responder por formação de organização criminosa, fraude a certame licitatório, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, em alguns casos.

Mais informações sobre como o esquema funcionava devem ser divulgadas em uma coletiva de imprensa marcada para esta manhã.

 Por Paula Resende, G1 GO    

 

 

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