Quadrilha desmantelada pela polícia confeccionava documentos de alta qualidade

Material era utilizado para a entrada de pessoas no sistema prisional e até mesmo venda de imóveis.

Uma organização criminosa que utiliza documentos falsificados para cometer golpes foi desarticulada pela Polícia Civil e surpreendeu os investigadores pela qualidade dos documentos e pela quantidade apreendida. Todo tipo de documento público passível de falsificação era produzido pelo líder do grupo, Romero Barreto de Freitas, o Doutor, de 37 anos.

Bacharel em Direito, ele nunca teria trabalhado na área. Em agosto, ele foi preso durante uma operação do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (Gref) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic). Com documentos falsificados por Doutor eram realizadas vendas de imóveis; a abertura de conta bancária com financiamento; a regularização de veículos furtados e roubados; a locação de veículos; o ingresso no sistema prisional com documentos falsos. Ele negociava com bandidos a venda de documentos pessoais falsificados também. O volume de negócios de Romero era tão grande que, segundo a delegada Mayana Rezende, chefe do Gref/Deic, ele precisou abrir um escritório no Setor Nova Suíça.

Ela acredita que Romero tenha acesso ao banco de dados de algum órgão público. “É a única forma dele ter acesso a determinadas informações”, explica. Investigado desde 2014, Romero tinha como um dos principais agenciadores Thiago César de Souza, o Thiago Topete, morto em março durante uma rebelião na Penitenciária Odenir Guimarães (POG).

Foragido do sistema prisional, o detento Denis Willian Dias Rosa, o Pinóquio, comprou documento de identidade e uma CNH falsos de Topete em 2014. Como Topete estava preso, o pagamento foi feito para outro agenciador de Romero, Guilherme Cândido da Silva.

Topete cobrou R$ 1,5 mil pela CNH, três vezes mais que o valor cobrado por Romero. Segundo a Polícia Civil, Romero cobra R$ 200 por documentos pessoais, geralmente carteira de identidade falsa; R$ 500 por CNHs e R$ 400 pelo Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). O preço da falsificação de outros documentos era combinado diretamente com o líder do grupo. Assim fazia o casal Vânio Rodrigues Sardinha, o Di Goiânia, e Virgínia Maria Franco Barbosa. Na casa dele, de sua mãe e na casa de Romero, a Polícia Civil apreendeu documentos falsificados com as fotos dos dois, mas com outras identidades. “Seriam para fazer a venda fraudulenta de imóveis”, contou a delegada. “Outro golpe era o resgate de veículos não reclamados pelos donos no pátio do Detran. Ele deve ter um despachante que olha isso”, disse.

Para burlar o cadastro do sistema prisional, a namorada Para burlar o cadastro do sistema prisional, a namorada de um preso comprou documentos falsificados com o grupo criminoso. O detento quis evitar que o nome dela fosse parar no banco de dados do sistema prisional. Ela o visitou algumas vezes com identidade falsificada, encomendada pelo preso com Thiago Topete. Romero expandiu sua área de atuação fazendo a venda fraudulenta de carros de locadoras.

Usando laranjas agenciados pelo grupo, os carros eram locados em locadoras de fora do Estado e trazidos para Goiás. Os laranjas usavam documentação falsa. Romero falsificava a procuração da locadora como se estivesse efetuado a compra do carro e com o documento conseguia, de forma fraudulenta, a transferência do veículo, vendido pelo preço de mercado posteriormente. “Bandido burro pega em arma e assalta.

Um carro roubado implica em risco para o assaltante, que o vende baratinho. Bandido inteligente mexe com fraude. A rentabilidade é infinitamente maior, porque o carro é vendido pelo preço de mercado”, explica Mayana Rezende. O grupo foi preso por organização criminosa, estelionato, falsificação de documentos e receptação. Romero já havia sido investigado e preso por falsificar diplomas de Direito e de Medicina em 2015, durante uma investigação do 8º Distrito Policial.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta